Momento histórico para o Sistema Nacional da Saúde – o Primeiro transplante renal em Cabo Verde
Em conferência de Imprensa, proferida esta tarde, 24 de março, logo após a conclusão da Cirurgia do primeiro transplante renal em Cabo Verde, o Presidente do Conselho de Administração do Hospital Universitário Agostinho Neto, Evandro Monteiro, comunicou ao país que o transplante foi realizado com sucesso.
A equipa médica que esteve envolvida, informou que a cirurgia “correu muito bem”, os dois pacientes tanto a dadora como o recetor estão bem e neste momento estão a recuperar da anestesia. Segundo o médico Hélder Tavares, nefrologista do HAN a dadora do rim também está a recuperar bem e ela teve um ato altruísta em doar um rim ao seu irmão.
De acordo com a equipa médica a situação é estável e a evoluir bem, sendo que a dadora deverá ter alta em primeiro lugar e o recetor deverá ficar mais tempo, “mas os dois passam bem”.
A cirurgia demorou cerca de 3 horas e meia, ou seja, iniciou às 09h30 e terminou por volta das 13h00. De acordo com o Cirurgião vascular português, Norton de Matos, foi preciso uma hora para a retirada do rim, através da técnica laparoscópica, sem incisões grandes e depois na sala ao lado foi preciso mais uma hora e poucos para colocar o rim no paciente preceptor.
Para o presidente do Conselho de Administração do Hospital, trata-se de um momento histórico para Cabo Verde, foi um caminho contruído ao logo de décadas onde várias gerações de profissionais contribuíram e que muitos cabo-verdianos estavam ansiosos para se concretizar.
Reconheceu em nome do Hospital Agostinho Neto, o mérito da equipa médica envolvida, das parcerias envolvidas entre Cabo Verde e Portugal e reconheceu o engajamento do Dr. Norton de Matos, Cirurgião Vascular Português. Este, por sua vez, considerou que o processo não foi fácil, mas que graças ao engajamento de todos e especificamente os dos sucessivos Ministros da Saúde, foi possível chegar a este ponto.
“Finalmente demos este passo que me enche o coração”, concluiu.

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Este dia 24 de março, ficará marcada na História da medicina em Cabo Verde, como um marco histórico e um ponto de viragem no tratamento dos pacientes com Doença Renal Crónica (DRC). Inicia-se um programa de transplante renal para proporcionar melhor qualidade de vida aos doentes transplantados, diversificar as alternativas de tratamento para os doentes DRC, descongestionar os Centros de Hemodiálise existentes no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto (HUAN) na Praia e no Hospital Dr. Batista de Sousa (HBS) em Mindelo e diminuir os custos associados ao tratamento dialítico da DRC.
O procedimento pioneiro no país, iniciou por volta das 09:00, horário local, no maior hospital do país (Hospital Universitário Agostinho Neto) e foi conduzido por uma equipa médica de Portugal e de Cabo Verde. O paciente que foi transplantado é o homem de 44 anos de idade, que recebeu um rim da sua irmã.
Uma iniciativa que se encontra enquadrado no Programa Estratégico da Cooperação 2022-2026, existente entre os dois países, que perspetiva como prioritária a manutenção da aposta no sector da saúde , devendo as ações levadas a cabo concorrer para uma intervenção estruturada que procure colmatar as necessidade do sector de forma sustentável.
Trata-se de um objetivo há muito perseguido pelo Governo de Cabo Verde, através do Ministério da Saúde com a participação dos dois hospitais centrais do país (HUAN e HBS), que conta com o apoio técnico da Unidade de Transplante Renal do Hospital S. António no Porto, do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (Unidade do Porto) e com o financiamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., para além da parceria com a Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) que assegura o transporte de amostras para Portugal, sob a forte coordenação das Embaixadas de Portugal e de Cabo Verde.
O anúncio deste feito histórico tinha sido feito, no inicio do mês, pelo Ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, que adiantou que o objetivo é realizar cerca de 20 transplante renal durante o ano de 2026.
“Cada transplante realizado com sucesso reduzirá substancialmente os Custos com a hemodiálise, nomeadamente reduZ em 50% o custo da continuação de tratamento.” assegurou.
Este avanço representa um importante progresso na qualificação dos cuidados de saúde no país, permitindo oferecer aos pacientes com insuficiência renal crónica uma nova alternativa terapêutica, com impacto significativo na melhoria da qualidade de vida e na redução da dependência de tratamentos de diálise.
A realização deste procedimento é resultado do investimento contínuo do Governo na capacitação dos profissionais de saúde, no reforço das infraestruturas hospitalares e na cooperação com parceiros nacionais e internacionais, que têm contribuído para o desenvolvimento de novas valências médicas no país.
História da Hemodiálise em Cabo Verde
Em 2007 foi constituída uma comissão bilateral entre Cabo Verde e Portugal para preparar o processo de instalação do Centro de Hemodiálise no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto (HUAN), com o objetivo de dotar o país de capacidade instalada para tratamento dos doentes com Doença Renal Crónica (DRC) e também diminuir as evacuações médicas destes doentes para Portugal. A primeira sessão de diálise aconteceu, em 2010, no banco de urgências ambulatórias, sendo posteriormente e a título experimental os equipamentos transferidos, para as novas instalações que vieram a ser formalmente inauguradas a 29 de julho de 2014. A instalação deste Centro contou com o apoio da Cooperação Portuguesa, quer financeiro (cerca de 60 % do montante total do investimento num montante de investimento de 1 milhão de Euros) aprovado, em 2010, pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, quer técnico-médico-cirúrgico, um apoio de continuidade que vem sendo assegurado por equipas técnicas-médico-cirúrgicas portuguesas, passando o país a dispor de capacidade interna para assegurar o tratamento de doentes que sofrem de Doença Renal Crónica (DRC).
A DRC tem uma elevada prevalência em Cabo Verde que vem assistindo a uma mudança do perfil epidemiológico, evidenciada pelas principais causas de mortalidade (as de foro cérebro-cardiovascular, respiratórias e os tumores ou neoplasias, as primeiras, segundas e terceiras causas, respetivamente). Como principais causas da DRC surgem a hipertensão arterial (42%) e a diabetes (22%).
O tratamento da DRC pode ser viabilizado através de diálise em Cabo Verde, evacuação médica para Portugal ou de transplante renal. A evacuação médica para tratamento substitutivo renal, impõe a mudança permanente do doente que sofre desta patologia, obrigando a que se afaste do seu contexto familiar, social e laboral.
Desde 2014 que Cabo Verde assegura localmente o tratamento de diálise aos doentes com DRC, sendo o gráfico ilustrativo do aumento da procura e da capacidade de tratamento que tem vindo a registar-se ao longo dos 10 anos de funcionamento do Centro de Hemodiálise, estando novamente o Centro próximo da sua capacidade máxima de funcionamento e já a operar em 4 turnos diários para dar resposta à procura por este tipo de tratamento. Assumindo que numa fase inicial o transplante possa não dar resposta a todos os doentes, está a ser equacionado o alargamento da capacidade do Centro, prevendo-se a instalação de mais 4 postos de tratamento.
Desde 2016, que vem sendo maturada a legislação sobre o transplante de órgãos, processo já consolidado em inúmeros países, proporcionando ao doente uma alternativa ao tratamento (habitualmente 3 vezes por semana, em sessões de 4 horas), conferindo-lhe autonomia social, liberdade de movimentos e a concretização plena do direito à proteção da saúde. Segundo alegado, a dimensão ética do processo de transplante, mas também da recolha e dádiva de órgãos de dadores vivos mereceu reservas aos governantes e legisladores. A 6 de junho de 2024, através da Lei nº 39/X/2024, foi finalmente aprovada a Lei que estabelece o regime jurídico relativo à qualidade e à segurança em relação à dádiva e colheita de órgãos, tecidos e células de origem humana para fins de diagnóstico ou para fins terapêuticos ou de transplante, bem como as próprias intervenções de transplante.
A população em hemodiálise em Cabo Verde é muito mais jovem que em Portugal (média de idades 53 anos) e predominam famílias de 3 a 8 filhos. Fruto do acompanhamento assegurado, existe junto da comunidade médica portuguesa a perceção de enorme solidariedade familiar para permitir a doação de rins.
A dimensão financeira associada ao tratamento e ao transplante não é despicienda: um doente transplantado custa ao erário público cerca de 50% ou menos do custo de um doente em hemodiálise, para além da qualidade de vida, da significativa baixa das taxas de morbilidade e de mortalidade.
Do ponto de vista médico a possibilidade de fazer transplante com dador cadáver (que é o mais frequente em Portugal) é inviável no curto e médio prazo devido às exigências técnicas e legais inerentes ao procedimento, pelo que o transplante renal com dador vivo (com dadores familiares em 1º grau – pais ou irmãos) é a opção que se apresenta com maior viabilidade.
O processo para implementação de um programa de transplante renal em Cabo Verde teve que cumprir algumas etapas prévias nomeadamente a Regulamentação da Lei nº 39/X/2024, a Adequação do Bloco Operatório do HUAN, assegurar a disponibilidade de medicamentos imunossupressores em Cabo Verde, e assegurado o transporte e as análises de histocompatibilidade (tipagem) para identificação dos dadores compatíveis;
Há capacidade instalada em Cabo Verde para dar início ao programa de transplante, o que será um incomensurável salto qualitativo na prestação de cuidados de saúde em Cabo Verde.
𝐄𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚 𝐦é𝐝𝐢𝐜𝐚 𝐦𝐮𝐥𝐭𝐢𝐝𝐢𝐬𝐜𝐢𝐩𝐥𝐢𝐧𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐞𝐯𝐞 𝐩𝐨𝐫 𝐭𝐫á𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐓𝐫𝐚𝐧𝐬𝐩𝐥𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐑𝐞𝐧𝐚𝐥 𝐞𝐦 𝐂𝐚𝐛𝐨 𝐕𝐞𝐫𝐝𝐞

A intervenção cirúrgica que marcou, de forma histórica, a medicina em Cabo Verde nos últimos anos, foi protagonizada por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde de Cabo Verde e de Portugal, numa verdadeira simbiose resultante da sólida cooperação entre os dois Governos.
A equipa foi composta por 3 cirurgiões vasculares (1 nacional e 2 portugueses), 2 nefrologistas (1 nacional e 1 português), 4 urologistas (3 nacionais e 1 português), 8 enfermeiros de bloco operatório (7 nacionais e 1 português), 4 anestesiologistas nacionais e 1 português), além de equipas de 4 apoio operacional e 2 técnicos e 1 enfermeiro de esterilização nacionais.
No total, cerca de 30 profissionais intervieram diretamente, cada um na sua área de atuação, contribuindo para que a primeira cirurgia de transplante renal fosse realizada com sucesso e tranquilidade.
Para além dos profissionais envolvidos diretamente no procedimento, reconhece-se igualmente o contributo de muitos outros que, nos bastidores, tornaram este marco possível — desde a realização de exames e estudos de compatibilidade, à parametrização de equipamentos, aquisição de medicamentos e consumíveis, esterilização das salas operatórias, logística, comunicação institucional, bem como o empenho de dirigentes, diretores de serviços e decisores que, ao seu nível, contribuíram para a concretização deste grande feito do Sistema Nacional de Saúde.
A todos, sem exceção, é devido um profundo e sincero agradecimento, pela coragem, por acreditar que era possível e por fazer história.
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O paciente transplantado do rim deverá ter alta nos próximos dias e a dadora já teve alta
Estas informações foram avançadas pelo Médico Nefrologista do Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto. Helder Tavares, neste domingo, durante uma entrevista na TCV.
De acordo com o médico a dadora já teve alta hospitalar e já se encontra em casa e o paciente que recebeu o rim está a evoluir de uma forma muito favorável e prevê-se que ainda esta semana possa vir a ter alta hospitalar.
Questionado sobre os eventuais riscos da haver rejeição do rim, o médico informou que esta é uma situação que é minimizada com os exames que são realizados antes do procedimento, pois segundo explicou os exames visam exatamente reduzir ao mínimo estes riscos.
“Nos fazemos uma serie de exames para garantir a máxima compatibilidade entre o dador e recetor permitindo assim uma maior sobrevida do rim que o paciente vai receber” frisou
Informou, no entanto, que só com um acompanhamento regular pode-se dizer que não haverá rejeição do órgão. Porque segundo disse, a rejeição é um processo natural do nosso organismo que é controlado pelo acompanhamento regular e através de exames laboratoriais que se possa detetar se está ou não ocorrer rejeição. Por isso o paciente vai continuar a ser seguido regularmente.
No que se refere as recomendações para que os dois pacientes possam retomar as suas vidas normais, o médico informou que a dadora vai continuar a ter a sua vida normal porque antes de doar o rim tiveram de acautelar que a pessoa gozava de uma boa saúde e os cuidados que deve ter são os mesmo de qualquer pessoa que passou por uma cirurgia, nomeadamente o repouso e posteriormente ter um seguimento regular pelos menos uma vez ao ano.
Para o paciente que recetor do rim, deverá ter um seguimento muito mais regular porque ele está submetido a um tratamento que deixa o seu sistema imunológico mais comprometido, e por causa disso deverá tomar alguns cuidados principalmente nos primeiros três meses, tais como evitar aglomerações de pessoas para evitar algumas infeções, andar de máscaras e proteger-se do sol intenso.
No entanto, esclareceu que passado este tempo, ele pode levar a sua vida normal. E disse que o que faz a diferença na sua vida é que estará livre de ter que fazer hemodialise três vezes por semana, no hospital.
Questionado se há uma lista de espera de pacientes para receber um rim em Cabo Verde, o médico esclarece que teoricamente todos os que estão a fazer diálise deverão um dia está numa lista de transplante renal, e aqui em Cabo Verde como existem muitos pacientes na faixa etária jovem são potenciais candidatos a transplantação, desde que tenham um dador compatível poderão sim ser alvo deste procedimento.
O médico Hélder Tavares, um dos rostos deste procedimento pioneiro em Cabo Verde, esclareceu que de acordo com a lei nacional, o dador deve ser um parente de até terceiro grau de parentesco. E a condição primordial é que haja uma vontade livre expressa do dador em oferecer o rim ao seu parente, o processo inicia-se de forma espontânea e sem pressão.
Segundo o especialista esta intervenção pioneira em Cabo Verde, trará muito benefícios, mas o principal é para o paciente que vai se livrar do processo de hemodialise, mas tambem reassentará um grande alivio para o Sistema Nacional da Saúde para o custo do tratamento da doença renal crónica. Considerou que é mais sustentável o transplante do que a diálise.
De recordar que a 24 de março de 2026, há precisamente uma semana, foi realizado no hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, o primeiro transplante renal DA HISTORIA DE Cabo Verde.


VIDEOS DO TRASPLANTE – https://studio.youtube.com/playlist/PLb6BEyo1ZXAxhWdw0lf4yzNbyMZBJpfqE/videos













