Quatro meses após os primeiros exercícios de deteção de eventuais casos de Ébola nas fronteiras nacionais. Esta sexta-feira, 30 de Janeiro, foi mais um dia de Exercício de Simulação de Resposta a um Caso Suspeito de Ébola na comunidade. Desta vez, a iniciativa foi uma ação conjunta da Equipa Técnica Nacional de Intervenção Rápida (ETNIR) e da Delegacia de Saúde da Praia num dos bairros (Várzea) da capital do país.

Este exercício teve como objetivo testar a capacidade de resposta das Estruturas de Saúde e de toda equipa de resposta ao caso suspeito de ébola face a um alerta através da linha verde ébola 800 28 28. Foi também um momento para colocar em prática os planos de preparação e protocolos de procedimentos elaborados para serem seguidos em circunstâncias de um eventual caso suspeito de ébola na comunidade.

A ação contemplou vários procedimentos, desde um primeiro contacto para a linha verde ébola, a comunicação, a deslocação da equipa de intervenção, o isolamento da área próxima da residência do suspeito, o transporte do paciente, desinfeção da casa do suspeito, o atendimento do paciente no centro de isolamento do Hospital Dr. Agostinho Neto, a desinfeção dos equipamentos de proteção e ambulância bem como a despida dos EPIs.

Nesta operação estiveram envolvidas mais de três dezenas de profissionais entre autoridades sanitárias nacionais, delegados de saúde, médicos, enfermeiros, avaliadores, observadores do Ministério da Saúde, bombeiros, polícia nacional e outros técnicos de saúde. Teve como cenário principal a casa de um morador no bairro da Várzea, de onde desencadeou o início da simulação através de uma chamada para a linha verde ébola (800 28 28) a comunicar que um familiar vindo a três dias da Serra Leoa apresentava sintomas semelhantes ao do Ébola. Seguidamente foi comunicado as autoridades sanitárias nacionais e a todos os agentes integrantes da equipa de intervenção que se deslocaram ao local equipados com matérias de proteção (EPI), ambulância, polícia nacional e proteção civil. O exercício estendeu por pelo menos duas horas sob os atentos olhos dos observadores e muitos curiosos.

Para a Ministra Adjunta e da Saúde, Dra. Cristina Fontes Lima, que felicitou o trabalho de toda equipa, é preciso continuar os exercícios de treinamento e detetar as falhas de forma a serem corrigidas para o aperfeiçoamento das intervenções em resposta a um eventual caso de ébola em Cabo Verde. A Ministra reforçou ainda que cada entidade envolvida deveria fazer o seu treinamento interno para se conseguir o máximo de eficiência nos procedimentos.

O delegado de saúde da Praia, Dr. Domingos Teixeira, realçou que as estruturas de saúde estão em constante vigilância, contra o ébola. Questionado se a presença de muitos curiosos no local, não representaria riscos para a população, o delegado disse que como se tratava de uma simulação, a população foi informada a tempo de forma a não haver pânico, mas que seja em procedimentos de simulação ou em situação real, sempre existirão curiosos, por isso as medidas de segurança tem de ser seguidas a risca.

No final, toda equipa que participou do exercício reuniu-se com a Ministra Adjunta e da Saúde, Dra. Cristina Fontes Lima, o Representante da OMS, Dr. Mariano Salazar Castellon e o Diretor Nacional da Saúde, Dr. António Delgado, para uma avaliação detalhada das operações.